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Mostrando postagens com marcador Vinicius de Moraes. Mostrar todas as postagens
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3 de novembro de 2008

Eu talvez não tenha muitos amigos.

Eu talvez não tenha muitos amigos.
Mas os que eu tenho são os melhores que alguém poderia ter.
Além disso tenho sorte, porque os amigos que tenho têm muitos amigos e os dividem comigo.

Assim o meu número de amigos sempre aumenta, já que eu sempre ganho amigos dos meus amigos.

Foi assim aqui, uns eu ganhei há tempos, outros são mais recentes.

E quem os deu não ficou sem eles, pois a amizade pode sempre ser dividida sem nunca diminuir
ou enfraquecer. Pelo contrário, quanto mais dividida, mais ela aumenta.
E há mais vantagens na amizade: é uma das poucas coisas que não custam nada e valem muito,
embora não sejam vendáveis.
Entretanto, é preciso que se cuide um pouco das amizades.
As mais recentes, por exemplo, precisam de alguns cuidados.
Poucos, é verdade, mas indispensáveis. É preciso mantê-los com um certo calor, falar com eles mais amiúde e no início, com muito jeito. Com o tempo eles crescem, ficam fortes e até suportam alguns trancos.
Os mais antigos, já sólidos, não exigem muito, são como as mudas das plantas, que depois de enraizadas, parecem poder viver sem cuidados, porém não podem jamais ser esquecidas.
Algo é preciso para mantê-las vivas.
Prezo muito minhas amizades e reservo sempre um canto no meu peito para elas.

E, sempre que surge a ocasião, também não perco a oportunidade de dar um amigo a um amigo, da mesma forma que eu ganhei vocês.

E não adiantam as despedidas.

De um amigo ninguém se livra fácil.

A amizade além de contagiosa É totalmente incurável.
Vinícius de Morais

24 de março de 2008

Frases Sobre a Vida

As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.
Fernando Pessoa

A vida é maravilhosa se não se tem medo dela.
Charles Chaplin

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.
Vinícius de Moraes

Uma vida não basta ser vivida. Ela precisa ser sonhada.
Mário Quintana

A vida já é curta, mas nós tornamo-la ainda mais curta, desperdiçando tempo.
Victor Hugo

Para se executarem grandes coisas, há que viver como se nunca devêssemos morrer.
Luc de Clapiers Vauvenargues

Há uma alegria selvagem em estar vivo. Há uma embriaguez da existência. Cada hora é uma amante para o meu desejo infinito.
Arthur Lundkvist

11 de março de 2008

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor.
Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado.
Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe.
Se tiver vontade de rir, ria.
Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão.
Se me elogiarem demais, corrija o exagero.
Se me criticarem demais, defenda-me.
Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam.
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.
Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles.
Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei.
Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver.
E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase :
' Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus !'
Aí, então derrame uma lágrima.
Eu não estarei presente para enxuga-la, mas não faz mal.
Outros amigos farão isso no meu lugar.
E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu.
Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus.
Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele.
E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele.
Você acredita nessas coisas ? Sim???
Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito.
Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu . . . Sabe porque ?
Porque... Ser seu amigo já é um pedaço dele !

Vinícius de Moraes

5 de março de 2008

Solidão

"A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre."
(Vinícius de Moraes)

1 de março de 2008

O Que É Que Tem Sentido Nesta Vida

Composição: Vinicius de Moraes / Edu Lobo

O que é que tem sentido nesta vida
Não vai ser casa e comida
Cama fofa, cobertor
Não vai ser ficar mirando os astros
Ou então andar de rastros
Pelas sendas do senhor

Para muitos é o dinheiro
Ir de janeiro a janeiro
De pé no acelerador
Eu sinceramente, preferia
Uma vida de poesia
Na vigília de um amor

Há quem creia em ter status
Sair em fotos & fatos
Ter ações ao portador
Eu só acredito em liberdade
E estar sempre com saudade
De viver um grande amor

7 de janeiro de 2008

Um Dia

Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...

Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...

Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...

Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...

Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!

A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...

Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Autoria atribuída a Fernando Pessoa

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Vinícius de Moraes

20 de dezembro de 2007

Tomara

Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho

E chore, se arrependa

E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa

E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz


E a coisa mais divina
Que há no mundo

É viver cada segundo
Como nunca mais...

Vinícius de Moraes

8 de dezembro de 2007

Resoluções de Fim de ano

"Chega de ficar quebrando a cara
com os velhos erros de sempre.
Quero cometer erros novos,
passar por apertos diferentes,
experimentar situações desconhecidas,
sair da rotina e do lugar comum.

Esse ano eu preciso crescer.
Chega de saber a saída
e ficar parado na porta,
ensaiando os passos
sem nunca entrar na estrada,
esperando que me venha
o que eu mais preciso encontrar.

Esse ano, se eu tiver que sofrer,
será por sofrimentos reais
- nunca mais por males imaginários,
preocupado com coisas
que jamais acontecerão.

Chega de planejar o futuro e tropeçar no presente.
Chega de pensar demais e fazer de menos.
Chega de pensar de um jeito e fazer de outro.
Chega do corpo dizer sim e a cabeça não.
Chega desses intermináveis conflitos que
me fazem adiar para nunca a minha decisão.
Este ano eu vou viver."

Vinícius de Moraes

6 de novembro de 2007

Meme: Amizade

A Auréa me passou este Meme de amizade
Escolhemos dez amigos para declarar a nossa amizade e os nomeamos num post. Em seguida visitamos seus blogs e comunicamos a nomeação. Cada um deverá nomear mais dez, e assim sucessivamente. Não há selos ou prêmios, apenas nossa declaração sincera de afeto.
Para estes e para muitos outros que me visitam deixo este poema.


Amigos - Vinícius de Moraes

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto
e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos
e o quanto minha vida depende de suas existências ...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital,
porque eles fazem parte do mundo que eu,
tremulamente, construí,
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece
é que a roda furiosa da vida
não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos, e, principalmente,
os que só desconfiam
- ou talvez nunca vão saber -
que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.




Então declaro minha amizade publicamente para:
Oscar
Pena
Ele e Ela (O casal mais fofo da internet!)
Debóra
Leonardo
Nil
Juli Ribeiro
Sarah
Beth Santana
Kaká


***Acho que esses memes deveriam ter números ilimitados de pessoas porque gostaria de incluir mais amigos. Porém escolhi os que tenho mantido mais contado e os que visito desde que iniciei meu blog e me ajudaram muito. Beijos a todos.

4 de novembro de 2007

Soneto da fidelidade

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicíus de Moraes

23 de outubro de 2007

Canção em Modo Menor

Composição: Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes


Porque cada manhã me traz
O mesmo sol sem resplendor

E o dia é só um dia a mais

E a noite é sempre a mesma dor

Porque o céu perdeu a cor
E agora em cinzas se desfaz


Porque eu já não posso mais

Sofrer a mágoa que sofri

Porque tudo que eu quero é paz

E a paz só pode vir de ti

Porque meu sonho se perdeu

E eu sempre fui um sonhador

Porque perdidos são meus ais
E foste para nunca mais


Oh, meu amor

Porque minha canção morreu

No apelo mais desolador

Porque a solidão sou eu

Ah, volta aos braços meus, amor

21 de setembro de 2007

O Haver - Vinicius de Moraes




Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
essa intimidade perfeita com o silêncio.
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo.
Perdoai: eles não têm culpa de ter nascido.
Resta esse antigo respeito pela noite
esse falar baixo essa mão que tateia antes de ter esse medo de ferir tocando essa forte mão de homem cheia de mansidão para com tudo que existe.
Resta essa imobilidade essa economia de gestos essa inércia cada vez maior diante do infinito essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons esse sentimento da matéria em repouso essa angústia da simultaneidade do tempo essa lenta decomposição poética em busca de uma só vida de uma só morte um só Vinícius.
Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas essa tristeza diante do cotidiano ou essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória.
Resta essa vontade de chorar diante da beleza essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido essa imensa piedade de si mesmo essa imensa piedade de sua inútil poesia de sua força inútil.
Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado de pequenos absurdos essa tola capacidade de rir à toa esse ridículo desejo de ser útil e essa coragem de comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza de quem sabe que tudo já foi, como será e virá a ser.
E ao mesmo tempo esse desejo de servir essa contemporaneidade com o amanhã dos que não tem ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar, de transfigurar a realidade dentro dessa incapacidade de aceitá-la tal como é e essa visão ampla dos acontecimentos e essa impressionante e desnecessária presciência e essa memória anterior de mundos inexistentes e esse heroísmo estático e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas tomam por esperança.
Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
na busca desesperada de alguma porta quem sabe inexistente e essa coragem indizível diante do grande medo e ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva. Resta esse desejo de sentir-se igual a todos de refletir-se em olhares sem curiosidade, sem história.
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho,
essa vaidade de não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável.
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
e esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada, ela virá me abrir a porta como uma velha amante sem saber que é a minha mais nova namorada.

20 de junho de 2007

"São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher..."

Vinicius de Moraes

4 de março de 2007

Soneto de Fidelidade


De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa (me) dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes

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